quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mágoa

Durante um ataque de melancolia esta manhã, fui à varanda, olhei para o céu e perguntei a Deus: “Por que estamos aqui?”. Minha ingenuidade me levava a pensar que fomos criados e recebemos o dom da vida para sermos felizes. Na verdade, seria um desafio. Com tantas tragédias no mundo e, principalmente, diante de nossas tragédias particulares, teríamos a missão de ser genuinamente felizes. Os vencedores desse reality show apresentado por Deus receberiam algo muito mais valioso do que um milhão de reais. Ganhariam sabedoria.

Andariam pelas calçadas, pelos corredores do escritório, pela casa de seus parentes esbanjando sorrisos, apesar da escuridão que habita dentro de si. Os pedestres, os colegas de trabalho e os familiares tombariam os queixos de admiração e ergueriam as sobrancelhas de inveja. “Como ele consegue ser tão feliz?” Mas eis que me surge uma ideia, uma pista do plano de Deus... Não estamos aqui para ser felizes, e sim, para aprender a lidar com a dor.

Da mesma forma que o pai nega um brinquedo ao filho birrento no shopping, Deus, o Pai de todos os pais, nos impõe provas que testam nossa capacidade de lidar com o sofrimento sem machucar os outros nesse processo. E aí vem mais um golpe do Mestre: “Como lidar com a tristeza nos causada pelos sofredores, cegos pela fumaça de seu próprio inferno?”.

Foi então que descobri a identidade da maior vilã da humanidade, ou melhor, o mais difícil obstáculo para atingir a tal pseudo-felicidade. Não é o ódio declarado entre dois países ou entre um casal em processo de divórcio. Não é a mentira, que ilude e nunca se sustenta por muito tempo. Não é a inveja, que suga energias e se alimenta de pensamentos destrutivos. Todas elas são consequências da ameaça principal. Nossa verdadeira guerra é contra a mágoa.

A mágoa é o sentimento mais perigoso de todos, pois passa sem ser notada entre a extravagância da raiva e a face pálida da melancolia. A mágoa é pequena como um vírus. Pegamos no ar, a partir de uma resposta atravessada de alguém, e por meio do toque (ou até pela falta de tato). Esse vírus cresce e se multiplica a cada novo sapo que engolimos, a cada ato de desrespeito, de intolerância, de indiferença.

Assim como a gripe, não há remédio que combata esse mal, apenas paliativos para aliviar as dores. É preciso esperar o ciclo da mágoa, o tempo que ela precisa para se infiltrar, fazer seu estrago e dar lugar à amargura. Na verdade, a guerra contra a mágoa é um combate contra nós mesmos. Somos nós que criamos a mágoa. Somos nós que não damos um basta à situação que nos encomoda e deixamos a mágoa crescer e se estabelecer.

O mesmo pai que repreende é o pai que estende a mão. Deus nos deu muitas ferramentas para impedir a chegada dessa silenciosa e traiçoeira vilã. Eles nos concedeu honestidade, para se abrir ao outro e dizer aquilo que nos incomoda. Nos deu paciência, para esperar o momento certo de tocar no assunto. Nos deu gentileza, um escudo contra aqueles que ameaçam nos fazer mal. Nos deu compaixão para entender que, às vezes, as pessoas simplesmente erram e não devemos pagar na mesma moeda.

A sábia escritora Clarice Lispector me ensinou certa vez que temos que ser felizes não por causa dos momentos bons, mas apesar dos momentos ruins. “Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente”, escreveu. Por isso, compre um girassol, abra sua janela, deixe a brisa entrar e levar todo o ar pesado embora. Não espere que os outros lhe tirem da escuridão. Ilumine sua própria viva. Perdoe, releve, converse, desfaça mals entendidos e seja feliz, o máximo que puder.

De volta...

Depois de ficar um bom tempo afastada do blog, resolvi voltar a escrever. Durante esse período de pausa, tantas coisas aconteceram... Mudei de kit, refiz a decoração, aprendi algumas receitas (mas só algumas, tá?) e já passei por poucas e boas no meu novo lar. Prometo ir contando tudo aos pouquinhos para não perder a graça. Abraço a todos!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Lait condensé?

O brigadeiro à la francesa
Hoje é meu aniversário! E isso me lembrou o dia em que eu e a minha amiga Dominique tentamos preparar brigadeiros na França para comemorar, naquela época, os meus 22 anos de vida. Antes de contar essa história, tenho que fazer um parêntesis gramatical. Geralmente, as palavras terminadas em “ado” em português ganham a terminação “é”, em francês. Abandonado vira abandonné, acusado se transforma em accusé, adorado se torna adoré.

Mas é claro que há muitas exceções. Aliás, eu nem posso chamar isso de regra. Em 65% dos casos eu trocava a terminação da palavra, maquiava com um sotaque francês e dava certo. Nesse 16 de março de 2007, eu e Dominique fomos ao supermercado para comprar um dos principais ingredientes do doce: o lait condensé.

Juro que não é pasta de dente
Não achamos nada que se parecesse com nosso leite moça e passamos a perguntar às donas de casa que faziam compras no local sobre o paradeiro da latinha. “Lait condensé? Nunca ouvi falar!”, disse uma. “Vocês têm certeza de que isso existe mesmo?”, desconfiou a outra. Uma senhora simpática ouviu finalmente nossa desajeitada descrição do que seria o leite condensado. “É bem doce, usado para fazer sobremesas.. um leite bem concentrado, sabe?”, explicamos. “Ahhhhhhh! Lait concentré!!!”, exclamou.

Enfim achamos algumas bisnagas de leite condensado escondidas em uma das prateleiras do enorme supermercado. Pelo visto, o produto não é muito popular por lá. Quanto ao último ingrediente do nosso doce, nem tente improvisar um granulé. Me disseram que existe algo parecido chamado vermicelle. Mas na cidade onde morei na Bretanha eu não encontrei e enrolei o brigadeiro no açúcar mesmo. Ficou quase com o sabor de casa.

Leia este post também em http://www.revistafrancesa.com/

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Gisele Büchen interpreta dona de casa

Fim do mistério! A top Gisele Bünchen aparece mostrando seus dotes da faxina em um video divulgado no You Tube porque vai estrelar uma nova campanha para a SKY. A propaganda estreia hoje durante o intervalo do Jornal Nacional e mostra Gisele como uma dona de casa que faz de tudo para reconquistar o marido. A trilha sonora fica por conta de “Portão”, de Roberto Carlos – justamente a canção que a musa cantarola no video que vazou na internet. Em formato de sitcom, o comercial mostra as histórias do casal após o retorno do marido. Dizem que ela está atuando super bem. Vamos esperar para ver!

Desinfetante é afrodisíaco

Se você quer apimentar o clima em casa, prepare a vassoura e o esfregão! Um estudo das universidades americanas do Arizona e de Montclair mostra que casais que investem tempo em atividades domésticas são os que fazem sexo com mais frequência. Os pesquisadores analisaram a rotina de 6877 casais para chegar a essa conclusão.

Portanto, meninas, abandonem o perfume Dior, o vestido vermelho e o sapato de salto alto. Nada de convidá-lo para um jantar à luz de velas. Para conquistar mesmo o gato, banhe-se de Veja Multiação, coloque um shortinho, uma camiseta velha e um chinelo. Como cartada final, chame-o para lavar as louças. Ele vai cair aos seus pés.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dona Gaga

Lady Gaga mandando ver na cozinha. Será que todas as celebridades são donas de casa comuns? Depois de Amy Winehouse, Demi Moore e Gisele Büchen, por que não? Mas, dessa vez, não se trata de uma estrela, e sim de uma blogueira.


O blog Every Day Gaga traz a internauta em várias situações do dia-a-dia, vestida como a cantora. A Gaga do Paraguai faz de tudo: monta árvore de natal, passeia com cachorros, se depila. A internauta teve a ideia do site depois de ir a uma festa de Halloween fantasiada como a artista. Me deu até vontade de tirar a fantasia de Branca de Neve do armário e me esbaldar na faxina!